1525-2025: Já se passaram quinhentos anos desde aqueles dias em que uma simples camponesa da Lombardia, Angela Merici, analfabeta, meia idade, talvez a pés ou no máximo com a ajuda de um burro, viaja até Roma para o Ano Santo anunciado pelo Papa Clemente VII.
Os peregrinos não são muitos, o número não é o mesmo do de hoje e dos grandes grupos que a cada dia passam pela mesma Porta Santa . Mas todos têm o mesmo anseio , pedir a Deus o perdão dos pecados e ganhar as Indulgências,… embora a Igreja de 1500 estivesse em perigo e colocada em discussão por um tal de Martin ,Lutero, cuja voz fez grande oposição ao Catolicismo criando divisões e lutas.
Angela talvez , pouco ou nada saiba disso, talvez ele queira somente se aproximar do berço do Cristianismo, se ajoelhar aos pés de São Pedro para conseguir o perdão.
Andou muito, rezou demais, confiou ao seu Senhor toda si mesma e seus sonhos, e sem dúvida deve ter pedido e suplicado para Deus lhe dar uma mão a conduzi-la por caminhos que ainda não conhecia.
Do mesmo modo e com o mesmo ardor as Ursulinas de hoje, juntas a milhares de peregrinos que chegam a Roma e em outros lugares escolhidos pela Santa Sé, de todos os cantos do mundo, se aproximam com devoção dos santos lugares para o Jubileu.
Mas desta vez não estão somente para implorar perdão, ou para ganhar as Indulgências plenárias. Estão lá porque nesse 2025 elas são cientes de ter uma tarefa a mais, a tarefa que o Papa Francisco quis confiar a todas as pessoas de boa vontade: se tornar, pelo mundo afora, peregrinos/as de esperança neste mundo que tanto precisa.
E ele suplica, como suplicou Angela Merici quinhentos anos atrás àa suas primeiras “filhas:
“Non si perdano di speranza” (Quinto Ricordo n.32)
“Mettano lassù le loro speranze e non sulla terra” (Quinto Ricordo n.42)
“Ora vi lascio; state contente e abbiate viva fede e speranza” (ultimo ricordo n. 26)
E talvez, enquanto nos aproximamos da Porta Santa, veremos perto de nós uma simples camponesa da Lombardia, Angela Merici, analfabeta, meia idade, quem olhará para cada uma de nós com seus olhos bons e nos dirá baixinho: seja você também peregrina de esperança!
Irmã Elisabetta Emanuela Melzi d’Eril, Ursulina de São Carlos in Milão